shodo3Shodo é a arte caligráfica japonesa, considerada também um exercício filosófico muito profundo e importante. Utiliza materiais antigos, como um  pincel feito de bambu com cerdas naturais, tinta geralmente preta e tradicionalmente armazenada em uma barra sólida, um raspador para fazer a tinta e papel de arroz para escrever. É muito utilizado como exercício nas artes marciais japonesas e por executivos e empresários.

SHODO é uma arte que está enquadra­da dentro dos cinco Caminhos (DO) do

            Japão antigo:

-          KENDO (O Caminho da Espada).

-          KYUDO (O Caminho do Arco e flecha).

-          CHADO (O Caminho da Cerimônia do Chá).

-          SHODO (O Caminho da Escrita).

-          KADO (O Caminho dos Arranjos Flo­rais ou IKEBANA)

Os objetivos desses Caminhos, e de outros mais recentes como o JUDÔ, o AIKIDÔ e o KARATÊ-DO, são o de unir corpo e mente, promovendo uma elevação no campo espiritual. Para isso eles exigem grande concentração e dedicação constan­te, além de sensibilidade. Cada movimento deve brotar de dentro da pessoa, do seu espíri­to, e não do cérebro.

O SHODO teve início na China. Antes do invento do papel, os ideogramas ("le­tras" chinesas – chamadas pelos japoneses de “Kanji”) eram escavados em ossos, com o intuito de transmitirem informações para as gerações futuras e preservarem oráculos. A invenção da escrita é atribuída a FU XI, um dos imperadores míticos, a cerca de 4.500 anos atrás, na China. A escrita com tinta se iniciou em tiras de bambu e posteriormente foram utilizadas peças de seda. Com a invenção do papel os escritores tiveram seu trabalho bem facilitado!

A escrita chinesa foi levada para o Japão no século IX por KOBODAISHI ou KUKAI, um sábio de grande cultura, que falava chinês e sâns­crito fluentemente. Era versado em confu­cionismo, budismo, yoga e várias seitas esotéricas, tendo criado a ramificação budista SHINGON no Japão.

Existem vários detalhes interessantes no SHODO. A ordem dos traços que com­põem um ideograma deve ser executada da esquerda para a direita e de cima para baixo. Também importante é o número de traços (pinceladas) que forma o ideogra­ma. No índice de dicionários orientais consta uma relação de ideogramas classifi­cados pelo número de traços de que são formados e servem como referência para encontrarmos o ideograma desejado.

O SHODO se utiliza de pincéis chama­dos FUDÊ e tinta à base de fuligem, cha­mada SUMI. Essa tinta é obtida prensando-se a fuligem com um tipo de cola, conseguindo assim um pequeno bastão de tinta. Esse bastão é esfregado num recipiente denominado SUZURI e acrescido de água, para formar a tinta quando tiver que ser utilizada.

Os pincéis são de diversos tamanhos, identificados por um número como os pin­céis ocidentais, porém serão sempre redon­dos.shodo2

Existem diversos tipos de escrita para os mesmos ideogramas, como podemos ver na figura ao lado. À direita está escrito SHODO, e depois o nome de cada estilo de escrita, tendo ao final a palavra FLOR, para que se possa ter uma idéia da diferença entre eles

Esses estilos são:

1- TENSHO. 2- REISHO. 3- KAISHO. 4- GYOSHO.
5- SOSHO.

shodo1

 

À esquerda: material para shodo- pincel (fude), barra de tinta (sumi) e depósito de tinta (suzuri).

 

As pessoas fazem SHODO pelos mais diversos motivos, embora todos busquem uma paz e harmonia entre corpo e mente. SHODO é isso. Um Caminho que pode conduzir a elevados estados de espírito e que pode ser praticado por qualquer pes­soa, ainda que não saiba uma palavra em japonês.

 

 

Gilberto Antônio Silva é jornalista, terapeuta e escritor. Estuda filosofias e culturas orientais desde 1977 e é autor de mais de uma dúzia de livros. É um dos maiores pesquisadores e divulgadores do Taoismo no Brasil, além da cultura oriental e artes marciais.

site: www.laoshan.com.br

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