escreverEstou envolvido na área jornalística e editorial há mais de duas décadas e o que mais eu vejo são pessoas com enorme capacidade, profundos conhecedores de diversos assuntos, mas que se escondem embaixo da cama quando se lança a idéia de escrever um artigo para uma revista, jornal ou internet. Veja, não se está pressionando por um livro de 300 páginas, mas por um artigo de 600 palavras, por exemplo. Coisa pequena, uma página, mas capaz de intimidar gente muito capaz.

Isso ocorre em geral por duas causas:

  1. Medo de errar- muita gente considera nosso idioma escrito como um obstáculo intransponível para expressar seus pensamentos. Talvez seja fruto de algum trauma escolar ou simplesmente por que nossa querida língua portuguesa está entre as mais difíceis do mundo (literalmente falando). Na verdade, a maioria dos textos com problemas que eu vejo está emperrada na sua clareza, e não no português. Antes de se notar erros de ortografia ou gramática, percebemos uma confusão de idéias que muitas vezes impossibilita que o leitor compreenda o escrito. Isso é muito mais grave, porque os processadores de texto dos computadores corrigem ortografia e até gramática. Então, se errar no português é seu medo, esqueça e bola pra frente.
  1. Medo de se expor- isso também é comum, até mesmo em grandes autoridades em seus campos de atuação. Muitos motivos podem minar a coragem do autor, desde baixa autoestima até incertezas sobre o assunto ou falsa modéstia. Somos influenciados desde pequenos a sermos “humildes”. Bem, se você não se divulgar e não divulgar o seu trabalho, não será sue vizinho que o fará por você. Basta fazer a lição de casa, seguir um planejamento como vamos mostrar mais adiante, e tudo se resolve.

Por que escrever?

Muitos me fazem essa pergunta. Sua resposta deveria ser óbvia: para transmitir aos outros suas idéias. É assim que o conhecimento evolui e foi assim que aprendemos o que sabemos.

Escrever também é muito útil para se divulgar nossas qualidades e o tipo de atividade que fazemos. Se você é o único representante no Brasil da técnica do Broto-de-feijão-terapêutico, quem poderia divulgar essa técnica senão você? E como as pessoas saberiam dessa maravilha terapêutica se o principal elemento que a representa não a divulga? Quando se pensa em divulgação logo nos vem à mente folhetos, cartões de visita, sites, anúncios em jornais e revistas. Mas a maior de todas as divulgações são seus artigos. Eles mostram sua capacidade, seu conhecimento e o colocam como autoridade na área. Se existirem 100 especialistas e apenas 10 escreverem, são esses 10 que serão procurados por clientes e jornalistas interessados na técnica, pois demonstraram saber o assunto e não tem medo de mostrar que sabem. Ou seja, confiam no que sabem. Isso fortalece e sedimenta a reputação do profissional. Mas aí você pode argumentar: “e se eu falar bobagem?”. Bem, aí o problema realmente é seu porque se você escreve bobagens é porque faz bobagens em sua atuação profissional. Se você não tem segurança no que faz, faça cursos, leia livros e aperfeiçoe-se.

Quanto escrever?

Artigos não precisam ser muito extensos. Na verdade, é desejável que não o sejam, pois na maioria das vezes chateia o leitor. Estamos em um mundo rápido e ágil e a maioria das pessoas não perde tempo lendo um artigo científico de 42 páginas. Para artigos em revistas, entre uma e três páginas-padrão do processador de textos (papel A4, fonte Times New Roman corpo 12). Consulte o editor para saber se deve escrever mais ou menos. Para artigos na internet, cerca de 600 palavras ou uma página-padrão (se acha que não consegue escrever isso, é melhor ir para debaixo da cama, mesmo). Não esqueça de fornecer alguma ilustração relevante, pois muitas vezes o editor não domina o assunto que você está tratando e pode usar uma figura equivocada (Uma pessoa fazendo Yoga em um artigo sobre Budismo, por exemplo)

Como escrever?

Escrever não é dom nem um presente dos deuses. É apenas planejamento, como qualquer atividade. Vamos mostrar as etapas da elaboração de um artigo, tanto para internet quanto para uma revista.

1-      Tema: o tema pode ser definido por você mesmo devido a uma inspiração ou um acontecimento que ocorreu na época, ou solicitado por um editor. Lembre-se de sempre se ater ao tema, não fugindo do assunto.

2-      Tópicos: Divida seu artigo em tópicos, lembrando que deve haver uma introdução, uma explanação e uma conclusão final. Sempre. Só não fique escrevendo “introdução”, “explanação”, “conclusão”. O próprio texto irá mostrar essa divisão através de suas idéias.

3-      Pesquisa: pegue cada tópico e crie sub-tópicos com assuntos a serem pesquisados. Cheque referências, converse com outras pessoas, vasculhe livros e a internet. Essa é a hora de evitar a vergonha de dizer bobagens!

4-      Escrever: com o esquema pronto, ao seu lado, comece a escrever. NUNCA pule as etapas anteriores e vá direto para o computador. Dificilmente sairá algo publicável, a não ser que tenha uma vasta experiência no tema e na técnica de escrever.

5-      Não corrija: escreva tudo o que vier à mente, sem reler nem consertar o escrito. Essa é a hora onde ocorrem os chamados “bloqueios” de escritor! Deixe a escrita fluir e as idéias aparecerem. Depois de um tempo, quando essa sensação diminuir, então pare e retorne ao início corrigindo ortografia, gramática e vendo se os pensamentos são coerentes. Esse passo é o mais importante de todos, pois vai impedir que você leve duas semanas para escrever uma página.

6-      Revisão integral: terminado o artigo e concluída a escrita e a correção de cada bloco, leia o texto todo e veja se as partes estão coerentes. Veja se a idéia central está bem desenvolvida, se não há falhas ou lacunas na lógica da argumentação ou das referências.
Nota: Não adianta ler um texto mais do que três vezes. Você não vai mais encontrar os erros, Peça para outra pessoa ler e apontar melhorias.

7-      Dê um título: sim, esta parte fica no final. Depois de escrito e corrigido o artigo, veja uma frase curta que funcione como título. Deve ser interessante e atraente para capturar a atenção do leitor, e ao mesmo tempo ser fiel ao texto. Claro.

Com esses passo, com certeza você conseguirá escrever excelentes artigos e divulgar seu trabalho, ao mesmo tempo em que amplia o conhecimento da Humanidade.

 

 

Gilberto Antônio Silva é jornalista, terapeuta e escritor. Estuda filosofias e culturas orientais desde 1977 e é autor de mais de uma dúzia de livros. É um dos maiores pesquisadores e divulgadores do Taoismo no Brasil, além da cultura oriental e artes marciais.

site: www.laoshan.com.br

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